Pesquisadores da Poli-USP, NTNU e MIT estudam metodologia para analisar viabilidade de projetos de Sistemas Complexos

Pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP, da Norwegian University of Science and Technology (NTNU) e do Massachusetts Institute of Technology (MIT) estão desenvolvendo uma metodologia para analisar grandes soluções de engenharia. Os professores Kazuo Nishimoto(Poli-USP), Donna Rhodes (MIT) e Henrique Gaspar (NTNU) partiram do desafio de analisar a viabilidade econômica e tecnológica de um projeto que vinha sendo desenvolvido no Research Centre for Gas Innovation, que propõe a criação de cavernas no pré-sal para armazenagem de gás natural.

Kazuo explica que esta era uma pesquisa em andamento do RCGI, e se trata de um projeto em que se integra o sistema oceânico, sistema de perfuração, sistema subsea, etc. para fazer um sistema não-convencional de separação de CO2 com CHn em águas ultra profundas, ou seja, uma caverna em uma camada do pré-sal. “Você teria que juntar todos esses elementos de grande porte e integrá-los para analisar se isso é viável econômica e tecnologicamente incluindo variáveis como mudança de tecnologia ao longo do tempo. Como o sistema é muito complexo, você precisa de uma metodologia que consiga entendê-lo como um todo e analisá-lo para vários cenários que têm possibilidade de mudar com o tempo. Estamos desenvolvendo uma metodologia que possa enxergar melhor um sistema que integra um conjunto de vários sub-sistemas, incorporando diversos fatores”. 

Os pesquisadores integraram seus estudos com a professora do MIT, que trabalha com sistemas de sistemas (Systems of systems), que basicamente estuda a viabilidade de uma tecnologia complexa e inovadora, que nunca foi feita. O artigo sobre as simulações de cavernas de sal, resultado da colaboração entre NTNU, USP e MIT e está atualmente aguardando revisão para ser publicado. 

O professor Kazuo destaca que seus ex-alunos ocupam cargos em instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento em diversos países, o que promove uma aproximação e facilita a interação entre os pesquisadores dessas entidades e da USP. Há ex-alunos seus que são professores na NTNU que fizeram doutorado no MIT, assim como em vários lugares, como na Universidade de Tóquio. “Temos alunos em vários lugares e eles fazem essa ponte. Continuamos mantendo o contato com eles, que infelizmente tiveram que sair do País, e estão se dando muito bem lá fora mostrando que nossos alunos são muito bons. É uma boa forma de fazer um intercâmbio”.

Kazuo explica que realizar pesquisas em conjunto com instituições de renome internacional é muito importante porque demonstra que a Escola Politécnica tem realmente competência de alto nível, e permite que os pesquisadores mantenham-se atualizados. “Olhar pra fora e entender o que os pesquisadores estão fazendo, porque cada país tem uma peculiaridade. Estamos em uma boa posição em pesquisas na área offshore (petróleo e gás), muita gente tenta aprender com a nossa experiência. Por outro lado, não podemos deixar de aprender sempre. Este tipo de projeto, de internacionalização em pesquisa, é fundamental. É possível mostrar o quanto os pesquisadores da instituição são competentes e o quanto podem contribuir em pesquisa de alto-nível”. 

Outras parcerias – A pesquisa é um exemplo da cooperação existente entre as instituições. Kazuo relata que o trabalho desenvolvido no Tanque de Provas Numérico é bastante reconhecido na Universidade norueguesa por seus projetos em sistemas de operações marítimas conduzidos pelo Prof. Tannuri. Entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020, o doutorando da NTNU, Ícaro Fonseca, fez um intercâmbio de pesquisa no laboratório da USP. Sua pesquisa conectou os interesses comuns de pesquisadores de ambas as instituições, e ele desenvolveu um gêmeo digital de um navio, uma espécie de simulador de um projeto construído por meio de um modelo matemático que representa aquele processo.

Atualmente, dois estudantes de mestrado estão engajados no projeto, um de cada instituição, bem como dois pós-doutorandos da USP. Do lado brasileiro, o pós-doutorando Daniel P. Vieira realizou um intercâmbio de pesquisa na NTNU em 2019, combinado a uma curta estadia no MIT.