Conhecimento sobre diversas tecnologias permite que Engenheiro Mecatrônico da Poli atue na indústria 4.0

 

Primeiro curso de Engenharia Mecatrônica do país, a formação foi implantada na Escola Politécnica (Poli) da USP em 1988, quando a demanda internacional por esse tipo de especialização era crescente. Essencialmente, o engenheiro mecatrônico é o profissional que une conhecimento em mecânica, eletrônica, controle e computação, podendo atuar em diversas áreas, incluindo toda a automação industrial, agrícola, residencial e outros campos de automação, além de praticamente todos os produtos modernos, como caixa eletrônico, vending machine, impressoras 3D, robôs cirúrgicos e carros autônomos.

Desde sua criação, a habilitação de engenharia mecatrônica oferece 60 vagas de graduação por ano na Poli. Curso de natureza multidisciplinar, o objetivo da Mecatrônica é formar engenheiros aptos a compreenderem a realidade tecnológica e promoverem avanços tecnológicos relacionados à automação e seus processos e dispositivos, tendo como base a compreensão de fenômenos físicos, processos mecânicos e lógica computacional.

A coordenação do curso explica que na Poli, a formação na engenharia mecatrônica é de caráter fortemente generalista, indo na contramão do movimento de especialização excessiva que pode dificultar a inserção dos engenheiros no mercado de trabalho, buscando uma visão ampla, holística, generalista, sem ser superficial. O modelo da Escola Politécnica acabou inspirando diversas outras instituições na orientação de seus cursos, devido ao pioneirismo da experiência com a mecatrônica. 

Assim, além das disciplinas básicas dos cursos de engenharia, como cálculo, física, desenho e materiais, os alunos conhecem um pouco de cada uma das quatro áreas que dão base para o curso: mecânica, eletro-eletrônica, computação e controle. Transversalmente a estas quatro áreas, os alunos têm uma visão micro, de componentes, sua caracterização, até uma visão macro, de conjunto e, consequentemente, de sua integração.

Desse modo, o engenheiro mecatrônico formado pela Poli apresenta uma visão sistêmica, preparado para lidar com as necessidades e especificidades da Indústria 4.0. A formação permite a aproximação com as áreas da mecatrônica em que o estudante tenha mais afinidade: é possível participar de grupos de pesquisa, realizar iniciação científica e estágio mais específico. 

(Imagem: Freepik)

A estrutura básica do curso segue as diretrizes comuns da Escola Politécnica, com os dois primeiros anos voltados ao ciclo básico, no qual os alunos consolidam uma base forte de matemática, física e disciplinas comuns às engenharias, além de matérias introdutórias da mecatrônica. No segundo ano, começam a ser introduzidas disciplinas essenciais ao cotidiano do profissional, como economia e estatística, e também aquelas relacionadas a projetos de dispositivos, fabricação e manufatura, que dão base à formação do engenheiro.

A partir do terceiro ano, o curso começa a se focar mais em áreas específicas da Mecatrônica. Eletrônica, computação, modelagem e controle, projeto e manufatura auxiliada por computador são algumas das linhas mestras que direcionam as disciplinas a partir dessa fase do curso.  

O curso de Engenharia Mecatrônica é o único da Poli a trabalhar intensamente com projetos integrados, que unem diversas disciplinas em um único projeto. Outro diferencial é a presença obrigatória da disciplina de empreendedorismo, existente desde o ano 2000. Além disso, os alunos da mecatrônica podem participar do grupo de extensão Thunderatz, uma equipe de competição de robôs que congrega mais de 80 alunos e é vencedora de competições no Brasil, EUA, Japão e China.

A engenharia mecatrônica da Poli ainda é o berço da primeira empresa unicórnio (startups avaliadas em 1 bilhão de dólares ou mais) brasileira, a 99, já que seus dois fundadores, Ariel Lambrecht e Renato Freitas, foram formados no curso. 

As informações contidas neste texto foram fornecidas pelo site do Departamento de Engenharia Mecatrônica da Poli-USP e pelo professor Eduardo Aoun Tannuri.