Escola Politécnica da USP

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Mulheres com carreira de sucesso na Engenharia são exemplos de incentivo para estudantes

Em mesa-redonda na Poli-USP docentes discutem questão de gênero na Engenharia, e como enfrentar casos de discriminação.

Procurar e divulgar amplamente os bons exemplos de mulheres que se destacam na carreira de Engenharia é uma das ações práticas que podem ajudar a despertar o interesse do sexo feminino pela área e, dessa forma, ampliar a presença das mesmas nesse campo do conhecimento. Essa foi uma das sugestões apresentadas pelas participantes da mesa-redonda “Mulheres na Engenharia”, realizada nesta terça-feira (19/09) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), em São Paulo. O evento integra a programação da IV Semana de Engenharia Elétrica e de Computação (IV SEnEC), promovida pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação da Poli, que se encerra na sexta-feira.

A mesa-redonda teve a intermediação da vice-diretora e professora do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP, Liedi Legi Bariani Bernucci, primeira mulher a ocupar um cargo na Diretoria da Escola. Como debatedoras participaram as professoras Cintia Borges Margi, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS), e Roseli de Deus Lopes, do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PSI), além da engenheira politécnica Renata Bartoli de Noronha, que atua em captações de recursos em desenvolvimento imobiliário no Credit Suisse (CSFB).

O resultado do debate mostrou que, apesar do machismo que ainda permeia a sociedade de uma forma geral, a discriminação, geralmente implícita, é algo que pode ser lidado com uma postura mais propositiva por parte da mulher. E que a Poli, como instituição, tem tido um papel ativo para combater este tipo de postura.

Vocês foram vítimas de preconceito na Engenharia da Poli? Renata Noronha foi taxativa na resposta. Não. “Sempre tive demanda muito grande por performance, vivi em um ambiente de competição e cooperação muito forte. Essa questão de se sentir discriminada está muito relacionada a não se deixar discriminar. Nunca me senti discriminada”, disse.

Já Roseli Lopes ponderou que viveu algumas situações no passado que lhe pareceram normais na época, mas hoje, ao revê-las, fica em dúvida sobre se foi vítima de machismo – como, por exemplo, uma vez em que tirou nota alta em uma disciplina e percebeu que os colegas ficaram incomodados. “Estávamos muito no piloto automático no passado, inclusive com relação a outros problemas além de gênero, como bullying. Hoje, as pessoas não aceitam muitas coisas que antes toleravam”, afirmou.

Cintia Margi também não se recorda de ter sofrido preconceito, de forma explícita, mas lembrou de algumas brincadeiras discriminatórias. “De modo geral, eu ouvia, não gostava, mas não criava antagonismo com os colegas”, contou. “Esse tipo de brincadeira existe há muito tempo e continua existindo, mas acho que, com o passar da idade, criamos uma casca”, prosseguiu. “Hoje é mais comum as pessoas deixarem claro quando não gostam de algo”, acrescentou.

Casos de brincadeiras discriminatórias de professores ou de alunos foram citados pelo público. Liedi Bernucci lembrou que a Poli tem um canal para que esses casos sejam reportados: a Ouvidoria. “Temos acolhido as reclamações, e os nomes são preservados”, destacou ela. “É preciso pontuar essas questões com tranquilidade, mas com firmeza.”

Maior exigência – A mulher precisa se esforçar mais do que o homem para não duvidarem de sua capacidade e para ter mais oportunidades na carreira? Para Renata Noronha, performance é uma obrigação quando se trabalha em um ambiente norteado pela meritocracia. “Na medida em que você entrega resultados consistentes, você conquista seu espaço”, afirmou.

A executiva considera, porém, que as mulheres são pouco representadas nos cargos de liderança porque, quando constituem família, acabam acumulando muitas tarefas, o que torna difícil entregar resultados iguais aos de um homem sem as mesmas responsabilidades. “A empresa quer resultado. Se uma pessoa acumula funções fora do ambiente de trabalho, ela tende a entregar menos e tem dificuldade de assumir cargos mais elevados”, continuou.

Em sua opinião, o que deve mudar é a posição do homem, que também precisa assumir responsabilidades familiares, dividindo as tarefas com as mulheres. “As mulheres muitas vezes tomam a dianteira e assumem tarefas sem dar chance ao homem para ele fazer isso”, acrescentou. Para ela, as mulheres precisam saber dividir as tarefas e construir essa visão de compartilhamento na educação dos seus filhos.

Cintia Margi lembrou que, apesar de as metas serem iguais e explícitas na carreira acadêmica, a cobrança é desigual. Ela citou um estudo no qual foi constatado que no processo de revisão de artigo científico duplo cego – revisor e autor não sabem quem são – o resultado é diverso quando se sabe que primeiro autor do artigo é uma mulher.

O elemento cultural, na avaliação das participantes, ainda é um empecilho para ter mais mulheres interessadas em Engenharia. Mulheres não são incentivas a gostar de Matemática e outras disciplinas de Exatas; acabam sendo direcionadas para as de Humanas e Biológicas. E o problema não se reflete apenas na Engenharia da Poli. Liedi Bernucci contou que, depois de formada, foi estudar na Escola Politécnica Federal de Zurique, na Suíça. “Na época, eram 50 pessoas no instituto e não havia nenhuma engenheira. Hoje, apenas 8% dos alunos são mulheres lá, um indicador mais baixo do que o da Poli”, disse.

Mudança em curso – Roseli Lopes contou que houve um aumento da presença de projetos submetidos por meninas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) depois de uma campanha que destacou a presença do sexo feminino no evento. “Precisamos elaborar mais campanhas junto às escolas de ensino fundamental e médio para mudar essa realidade. As próprias alunas da Poli podem voltar a suas escolas e fazer isso”, sugeriu.

Ela também defendeu que a Engenharia seja divulgada junto às escolas como uma atividade que tem profissionais dedicados a resolver problemas da sociedade, e não como uma área técnica e difícil. Cintia Margi também endossa este tipo de iniciativa. “É importante dar visibilidade para mulheres que chegaram a cargos importantes, mostrando que é possível, sim, desenvolver uma carreira.” 

Veja as fotos do evento em nosso álbum do Flickr.

 

Conheça alguns dos projetos apresentados no SIICUSP 2017

O primeiro dia do Simpósio na Poli aconteceu no prédio da Engenharia Metalúrgica e de Materiais

O Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (SIICUSP 2017), que se realiza na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), reuniu mais de 30 estudantes em seu primeiro dia. Eles apresentaram pesquisas nas áreas de Engenharia Química, Metalúrgica, de Materiais e Petróleo. Agora, aguardam os resultados das avaliações, que podem significar uma menção honrosa na etapa internacional, e até uma viagem para um congresso fora do país.

O evento ocorre todos os dias até esta sexta-feira (22/09). Amanhã, será realizado no prédio da Engenharia Mecânica e abrangerá as áreas de Engenharia Naval, de Produção, Mecânica e Mecatrônica. Para saber mais e acessar a programação, clique aqui.

Os pôsteres dos projetos apresentados nesta terça-feira (19/09) ficaram expostos no hall do prédio da Engenharia Metalúrgica e de Materiais e cada um foi avaliado por três diferentes pesquisadores. Os alunos que estão em intercâmbio e não puderam fazer a apresentação oral não concorrem aos prêmios previstos pelo SIICUSP.

Vinícius Hideyuki Shinya, que cursa o terceiro ano de Engenharia Química, foi um dos que teve sua pesquisa analisada. Ele afirmou ter estudado durante o final de semana, e garante que o bom preparo é essencial na hora da apresentação.

“Eu não gosto de decorar o texto que tenho que falar. Prefiro me concentrar em termos chave, e depois usar minha argumentação para explicá-los. Assim, soa muito mais natural”, comenta. Sua pesquisa diz respeito aos processos utilizados na dessalinização da água com o objetivo de seu reuso em usinas, como a utilização de membranas para filtrar os sais, que eventualmente podem entupir.

O estudante pesquisou métodos eficientes de decantação dos compostos como a sílica e o carbonato de cálcio para evitar o entupimento. A orientação da pesquisa foi feita pelo docente Marcelo Seckler.

Conheça outros projetos que serão apresentados no SIICUSP por alunos que estudam na Poli-USP nos próximos dias:

Protótipo de monitoração/controle para ventilador mecânico para camundongos – Em certas ocasiões é necessário auxiliar os seres humanos em sua respiração, processo conhecido popularmente como “entubação”, o que precisa ser feito de modo que não prejudique o pulmão do paciente. Para isso, testes são feitos em camundongos. Cesar Augusto Mendes Tessarolli buscou, então, criar um sistema capaz de monitorar essa ventilação em camundongos e extrair parâmetros dessa respiração forçada, de modo a possibilitar um melhor entendimento de como funciona o sistema respiratório.

Previsão de chegada de ônibus com aprendizado de máquina – Em seu projeto, Felipe Assis Mourão criou um algoritmo capaz de realizar previsões de tempo de chegada dos ônibus da cidade de São Paulo com uma margem de erro de apenas sete segundos, tempo muito menor do que o de aplicativos presentes no mercado.

Para isso, ele utilizou testes com dados da linha 8700-10, uma vez que ela não passa, em seu trajeto, por corredores de ônibus. As variáveis utilizadas foram clima, congestionamento e posições dos ônibus ao longo do tempo, retirados do sistema online da SPTrans.

Robô para auxílio na reabilitação de membros superiores por meio de músculo pneumático artificial - A utilização de robôs na reabilitação tem ganhado espaço no cenário atual e é bastante promissora devido não só a possibilidade de tornar os movimentos mais precisos, como também acompanhar a evolução clínica nos pacientes. Clara Mayumi Bertolino Hamada se concentrou em construir um robô para a reabilitação dos movimentos de flexão e extensão do braço humano.

Utilizando um mecanismo denominado músculo artificial pneumático (MAP), que se assemelha ao músculo humano, ela desenvolveu o robô com materiais maleáveis, evitando ao máximo o uso de partes rígidas, para que não forçasse movimentos não naturais do membro do paciente.

Desenvolvimento de um Dispositivo para Monitoração de Indicadores Sustentabilidade em Sistemas Produtivos – O objetivo do trabalho de Guilherme Yuji Watanabe foi desenvolver um dispositivo de aquisição de dados ambientais e de operação de máquinas em um ambiente de manufatura. Esses dados são utilizados para o cálculo dos indicadores de sustentabilidade de um Sistema Produtivo – é possível saber, por exemplo, se os equipamentos em operações em uma fábrica utilizam os recursos energéticos de modo sustentável, podendo assim identificar o quanto precisam ser aprimorados para alcançar os índices ideias de eficiência e economia.

Confira as fotos do dia aqui

 

Semana de Engenharia Elétrica inicia com palestra sobre internet das coisas

Guilherme Spina, politécnico fundador da empresa V2COM, deu a sua visão a respeito das novas tecnologias.

 

Atualmente, 40% de toda a comida produzida no mundo vai para o lixo antes mesmo de ser consumida. Além disso, 70% do trânsito dos centros urbanos é gerado por pessoas em busca de um local para estacionar. Segundo Guilherme Spina, politécnico fundador da empresa V2COM, apesar desses dados aparentarem não possuir nenhuma relação entre si, são sintomas de um mesmo problema: a falta de organização humana que, ainda para ele, está sendo resolvida aos poucos com o surgimento de tecnologias e sistemas inteligentes como a Internet das Coisas – em inglês, Internet of Things (IoT).

A constatação de Spina foi feita durante a palestra que abriu a Semana de Engenharia Elétrica (SEnEC), organizada pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação (CEE). O evento começou nesta segunda-feira (18/09) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). A Semana durará até o dia 22 e terá mais de 20 atividades, incluindo workshops, mesas de debate e visitas técnicas.

O politécnico contou sobre a história da empresa aos presentes. Fundada em 2002, ela consiste, nas suas palavras, em “uma montadora de Lego de hardware e software”, desenvolvendo sistemas baseados no conceito de IoT. Atualmente atende e foca em organizações que trabalham com energia, óleo e gás, agropecuária e cidades inteligentes.

Sua maior atuação é no setor energético. Spina afirma que a empresa já forneceu medidores elétricos às principais distribuidoras de energia do país, o que coloca a V2COM como uma importante contribuinte para a digitalização do setor.

Para explicar melhor sobre as atividades da empresa, o palestrante trouxe um exemplo de um cliente. Trata-se de uma empresa do setor canavieiro cujo sistema de reversão da vinhaça – que diz respeito ao transporte do resíduo resultante do processamento da cana, depois que ela é utilizada em usinas – foi digitalizado e transformado em imagens, que podem ser acessadas por qualquer parte da fábrica. Segundo ele, o próximo passo é criar sistemas inteligentes que possam trabalhar em cima dessas imagens e cuidar do processo sem a necessidade da mão de obra humana.

Ao falar sobre o futuro da tecnologia, o CEO defendeu que ele será sustentado por três conceitos: IoT, Big Data e inteligência artificial. Isso fará com que “as decisões das grandes empresas deixem de ser tomadas com dados do passado, tirados de uma planilha, e passem a ser tomadas com base em dados captados imediatamente”.

Quando questionado sobre o eventual desemprego gerado pelas inovações, Spina foi otimista. “Dizer que a tecnologia produz desemprego é uma falácia. A tecnologia gera, na verdade, desenvolvimento e, consequentemente, algumas profissões têm que se modificar”, argumentou.

As inscrições para a IV Semana de Engenharia Elétrica ainda podem ser feitas por meio do site. Para conferir a programação, basta acessar o evento da Semana no Facebook.

 

Prata obtida com reciclagem eletrônica pode contribuir para a economia

Prata foi separada dos metais que compõem placas de circuitos e utilizada para sintetizar nanopartículas

Notícia do Jornal da USP

Um estudo pioneiro realizado na USP foi capaz de recuperar 100% da prata presente nas placas de circuito impresso proveniente de computadores obsoletos. Objeto de uma tese de doutorado defendida na Escola Politécnica (Poli) pelo engenheiro Marcos Paulo Kohler Caldas, a prata foi separada dos metais que compõem circuitos e usada para sintetizar nanopartículas, bastante utilizadas pela indústria.

Usando a hidrometalurgia, processo utilizado para separação de minerais por meio de reações de quebra do minério em um meio aquoso, pesquisadores refinaram uma técnica que, se amplamente utilizada, pode ajudar e muito a economia brasileira.

Orientado pela professora Denise Crocce Romano Espinosa, coordenadora do Laboratório de Reciclagem, Tratamento de Resíduos e Metalurgia Extrativa (Larex) na Poli, Caldas explica que, dentre diversas possibilidades de extração da prata, a transformação dela em nanopartículas é talvez uma das maiores conquistas do projeto.

Com diâmetro médio de 60 nanômetros (nm) a 80 nm, as nanopartículas de prata são cada vez mais importantes no mercado. “Começamos a estudar a recuperação da prata devido ao valor agregado que o metal ganha na forma de nanopartículas”, destaca ele.

Separando metais

Durante a pesquisa foram utilizados dois modelos de placas com diferentes composições: placa mãe e placa de memória de computadores obsoletos. Foi definida uma chamada rota hidrometalúrgica, uma sucessão de etapas envolvendo a separação dos minerais para recuperação da prata, após um estudo de três rotas possíveis.

A rota hidrometalúrgica definida para recuperação da prata envolveu uma primeira lixiviação – a dissolução dos constituintes solúveis de uma matéria – em meio ácido sulfúrico e uma segunda em ácido sulfúrico em meio oxidante.

Graças a essa rota foi descartada a técnica de separação magnética e separação eletrostática, já que o metal em estudo é encontrado em pequenas concentrações nos resíduos eletroeletrônicos. Após o processo, a prata foi isolada dos demais metais. Por fim, a síntese de nanopartículas de prata foi feita utilizando o citrato de sódio como agente estabilizante.

Um investimento rentável

De acordo com a tese, a recuperação de metais presentes em equipamentos eletroeletrônicos tem atraído interesse graças a diferentes tecnologias que visam a reutilização desses elementos químicos em novos processos produtivos. A recuperação de prata de placas de circuito impresso na forma de nanopartículas é uma alternativa para reutilização deste metal nobre.

Embora a reciclagem de eletroeletrônicos não seja uma novidade, quando o assunto são placas de circuito, a tecnologia ainda não é amplamente utilizada no Brasil. “Hoje o que o Brasil faz não envolve 100% de reciclagem, mas sim a venda das placas”, explica Caldas. Tratados fora do País, os minérios extraídos dos circuitos são recuperados em escala industrial por nações como a China, um dos maiores compradores desse tipo de material.

Quando questionado sobre os custos da reciclagem, Caldas é categórico ao reforçar que não é possível caracterizar o método como caro já que ele é rentável. “Existe lucro no processo e a dificuldade hoje em dia é mesmo a questão tecnológica, sobre como processar e separar os metais”, revela.

Existe lucro no processo e a dificuldade hoje em dia é mesmo a questão tecnológica, sobre como processar e separar os metais”.

Por isso, pesquisadores do Larex se dedicam a estudar a reciclagem não apenas da prata, mas de diversos metais que compõem uma infinidade de eletroeletrônicos. “Nosso laboratório já faz recuperação de cobre, prata, zinco, por exemplo. E posteriormente queremos aplicar isso num processo industrial”, afirma ele.

Da sucata ao tesouro

Considerado sucata, o lixo eletrônico possui, para os olhos treinados de pesquisadores como Caldas, “uma riqueza muito grande”. O valor está justamente nos metais utilizados em sua confecção. “Se você olhar a constituição de uma placa, a tabela periódica está quase inteira ali dentro, de tantos elementos químicos”, ilustra ele. Sem a tecnologia para extraí-los, o Brasil acaba vendendo as placas por preços muito baratos para que outros países possam lucrar com seu processo de reciclagem.

Ao extrair a prata e transformá-la em nanopartículas, os cientistas disponibilizam um material rico que, por ter ação antibactericida, é utilizado de várias formas tanto na área de fármacos e cosméticos (na produção de shampoos, por exemplo), quanto em próteses dentárias e até mesmo tintas.

Para Caldas, o desenvolvimento do processo criado no Larex é importante não apenas enquanto uma nova técnica científica, mas também como um dos passos que pode vir a garantir a independência brasileira no campo da reciclagem de eletroeletrônicos.

“Ter desenvolvido uma forma de síntese de nanopartícula de prata a partir de um resíduo fez com que a gente encontrasse um meio de agregar ainda mais o valor do nosso material”, pontua o especialista ao destacar que a pesquisa continua. “A partir de agora podemos estruturar a nanopartícula e dar a ela características específicas que aumentem ainda mais seu valor de mercado.”

A tese Síntese de nanopartículas de prata a partir da reciclagem de placas de circuito impresso pode ser acessada na íntegra neste link.

Outras informações com Marcos Paulo Caldas, pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

 

Entenda o que procuram os avaliadores da Poli no SIICUSP

O Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP reúne estudantes da graduação para a apresentação de seus projetos de IC e IT

Apresentar um projeto no Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da USP (SIICUSP) é uma oportunidade para os estudantes da Universidade mostrarem os resultados de suas pesquisas e ainda tentarem uma vaga em simpósios internacionais, que são realizados dentro e fora do país. Daí a importância de desenvolver um bom trabalho e uma boa apresentação, de forma a impressionar bem a comissão avaliadora dos projetos. As notas dos avaliadores podem significar uma viagem para um congresso internacional, uma vivência muito mais comum para estudantes de mestrado e doutorado do que para quem faz a graduação, e é uma importante experiência para quem deseja seguir a carreira de pesquisa ou docência.

Este ano, o Simpósio será realizado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) nos dias 19 a 22 de setembro. Nele, são expostos os trabalhos de pesquisa que têm relação com as Engenharias. O evento contará com mais de 200 avaliadores da Escola. Eles são docentes, pesquisadores, doutores, estudantes de doutorado e pós-doutorandos selecionados por representantes dos departamentos na Comissão de Pesquisa da Poli.

Todos os trabalhos apresentados são analisados por três avaliadores pré-designados. Essa análise acontece em duas etapas distintas: durante a leitura prévia dos resumos e na apresentação dos autores no evento. “Ler os resumos antes de avaliar é importante, pois já podemos formular algumas perguntas a serem feitas” relata Brenda Coelho Leite, avaliadora há 13 anos.

A avaliação deve obedecer aos critérios estabelecidos pela Pró-Reitoria de Pesquisa, que consideram a apreciação ética da pesquisa, seu conteúdo, a qualidade do pôster e clareza na arguição do apresentador. É importante garantir que os avaliadores não tenham envolvimento com os trabalhos e/ou autores, principalmente, porque é obrigatória a avaliação por parte dos docentes que são orientadores.

 Os estudantes da Poli apresentam sua pesquisa a avaliadores dos respectivos departamentos da Escola. Um projeto orientado por um docente da Engenharia Civil, por exemplo, será avaliado por um professor ou pesquisador desse departamento da Escola. Já quem não é da USP é avaliado por pesquisadores ou professores, de acordo com a área de conhecimento a qual pertence a pesquisa.

Entre os requisitos que os alunos devem preencher para obter uma boa nota estão: conhecer as perguntas e os objetivos do trabalho; saber das virtudes e limitações da metodologia da pesquisa e ponderar sobre a relevância de seu projeto. Eles também são avaliados pela qualidade dos resumos do projeto.

Brenda Coelho Leite diz levar em conta, na sua avaliação, “a originalidade da pesquisa, a qualidade do pôster e argumentação do aluno”. Segundo ela, o que mais prejudica o estudante durante a apresentação é a falta de preparo, pois isso pode deixar a pessoa nervosa. Contudo, para ela, a avaliação não deve ser vista como um grande inimigo. “O evento é uma oportunidade de o professor, conhecendo diversos trabalhos e, tendo uma visão diferente do orientador, dar sugestões enriquecedoras ao aluno”, lembra.

Amanda Martins é estudante de Engenharia de Petróleo da Escola e já participou do Simpósio. Ser sucinto, direto e demonstrar conhecimento sobre a pesquisa são características que, de acordo com ela, contam bastante para a nota. “Os avaliadores analisam vários trabalhos, então quanto mais objetiva e sucinta for a explicação sobre a metodologia empregada e os resultados, melhor será o desempenho do aluno, pois ele conseguirá prender a total atenção de quem o escuta”.

Alexandre Kawano, professor e avaliador há mais de 20 anos do SIICUSP, ajudou a organizar o evento em 2005, e ressalta a importância do evento como espaço para compartilhamento do conhecimento, tanto entre alunos quanto professores. “Podemos ter uma visão panorâmica do que a Poli e as outras faculdades estão produzindo, por isso é imprescindível que os docentes se mobilizem”, afirma. Ele ainda defende o caráter acessível do evento. “O nível não é tão específico quanto os congressos de pós-graduação, o que garante à sociedade a oportunidade de conhecer as produções da Universidade”.

Confira a página oficial do evento com a programação, a relação de trabalhos inscritos e as normas do SIICUSP aqui

 

Especialistas discutem desafios para o uso do gás no cenário de redução de emissões de GEE

Evento será realizado na USP por dois centros de referência no assunto: o RCGI, do Brasil, e o SGI, da Inglaterra.

Nos dias 19 e 20 de setembro, a Universidade de São Paulo sediará a 2ª edição da Sustainable Gas Research & Innovation Conference, que reunirá especialistas do Brasil, Inglaterra, China e Estados Unidos para discutir o futuro do gás. O objetivo é compartilhar o conhecimento de tecnologias inovadoras que viabilizem o uso do gás em um cenário mundial de expectativa de redução de emissões de gases de efeito de estufa (GEEs).

O evento, organizado pelo Fapesp Shell Research Centrer for Gas Innovation (RCGI), do Brasil - sediado na Escola Politécnica da USP -, e pelo Sustainable Gas Institute (SGI), da Inglaterra, está em sua segunda edição e acontece no auditório do Centro de Difusão Internacional da USP, no campus do Butantã, em São Paulo.

Além de pesquisadores dos dois institutos, participam também da conferência o Secretário de Minas e Energia do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles; o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, José Goldemberg; o vice-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan; o pró-reitor de pesquisa da USP, José Eduardo Krieger; o diretor de separação de gás da Shell, Rob Littel e Plínio Nastari, membro do Conselho Nacional de Políticas Energéticas.

Abordagens inovadoras – Na ocasião, serão apresentados os resultados dos 29 projetos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos pelos 150 pesquisadores do RCGI. Haverá palestras com especialistas da Inglaterra, China e EUA sobre políticas energéticas, transferência de tecnologia e comercialização, e novas tecnologias. Um painel irá discutir o papel do gás, biogás, hidrogênio e das tecnologias de captura e armazenamento de carbono no mix de energia para o futuro.

Segundo o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini, a conferência é uma iniciativa única que possibilita aos pesquisadores das duas instituições o compartilhamento de conhecimento para que se compreenda plenamente o papel do gás natural no cenário global de energia. “O gás natural representa, a um só tempo, um imenso desafio e uma incrível oportunidade para o Brasil, tendo em vista a expectativa de que a produção brasileira cresça por conta da entrada em operação do Pré-sal”, lembra ele.

“Nossos desafios incluem desde a tecnologia para o armazenamento e o aproveitamento do recurso – não só como energético, mas como matéria-prima para obtenção de outros recursos cujas tecnologias de aproveitamento ainda estão sendo desenvolvidas – até a infraestrutura para sua disseminação e transporte, passando pela formação de demanda e pela falta de cultura de uso do gás no País”, resume

Serviço: A Sustainable Gas Research & Innovation Conference 2017 acontece no Auditório do CDI da USP (Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 222 – Cidade Universitária – São Paulo). No dia 19/9, das 8h às 20h, e no dia 20/09, das 8h às 21h15. Veja a programação completa em: http://bit.ly/2h5nwdl

 

Semana de Engenharia Elétrica e de Computação conecta prática da Engenharia com o universo acadêmico

Evento é promovido pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação (CEE) da Poli-USP

Palestra sobre smartgrids, workshops sobre machine learning e design thinking, visita técnica à Fábrica de Oil & Gas da General Eletric e uma mesa redonda que abordará a questão das mulheres na Engenharia com mediação da vice-diretora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Liedi Légi Bariani Bernucci. Essas são algumas das atividades previstas para a IV Semana de Engenharia Elétrica e de Computação (SEnEC), que ocorre entre os dias 18 e 22 de setembro, na Poli-USP.

O evento é promovido pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação (CEE), formado por estudantes da Escola, e as inscrições devem ser feitas por meio do site. Realizada desde 2014 a partir da ideia de unificar as semanas de Computação, Eletrônica, Energia, Controle e Telecomunicações em um grande evento anual, a SEnEC trará mais de vinte atividades para os cinco dias. Para conferir a programação, basta acessar o evento da Semana no Facebook.

Contando com o patrocínio de bancos e empresas como o Itaú, V2COM, Greener e National Instruments, o intuito da SEnEC é aproximar o meio acadêmico, vivenciado pelos alunos da Universidade, com o mercado de trabalho. Saiba mais aqui.

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Serviço: IV Semana de Engenharia Elétrica e de Computação (SEnEC)

Data: 18 e 22 de setembro

Local: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Av. Prof. Luciano Gualberto, 380 - Butantã, São Paulo - SP, 05508-010

 


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