Mensagem à comunidade sobre o funcionamento do Hospital Universitário na pandemia do coronavírus

Mensagem à comunidade sobre o funcionamento do Hospital Universitário na pandemia do coronavírus

Nos últimos dias, ocorreram algumas manifestações, com argumentações diversas, colocando suspeições sobre as atividades da USP na área de saúde, notadamente em relação ao funcionamento do Hospital Universitário.

Seguem algumas informações para dirimir equívocos e esclarecer que a Universidade de São Paulo (USP) está totalmente comprometida com a sociedade neste momento de crise.

Desde o início do alastramento do novo coronavírus no Brasil, seguindo as recomendações da autoridade sanitária, a Reitoria da USP vem tomando as medidas cabíveis em face da evolução dos cenários de crise, aumentando paulatinamente as medidas restritivas de contato social como forma de prevenção e enfrentamento dessa emergência de saúde pública.

Atenta às recomendações oficiais, e com o suporte técnico dos inúmeros especialistas e autoridades científicas que integram a Universidade, as atividades presenciais foram sendo restringidas. As aulas foram suspensas, bem como as atividades de extensão presenciais e as visitas aos Museus.

A rotina de trabalho presencial foi substituída pelo teletrabalho, em especial de servidores em grupos identificados como de risco. Em recente comunicado endereçado à comunidade universitária, a Reitoria solicitou que os dirigentes procurem reduzir ao máximo o número de pessoas trabalhando presencialmente, sem acarretar riscos maiores à manutenção das atividades básicas e assistenciais.

Ao preservar os trabalhos essenciais, a USP viabiliza a continuidade remota das atividades letivas dos cerca de 90 mil alunos matriculados (graduação e pós-graduação); assegura a continuidade e ampliação da assistência aos alunos mais necessitados; possibilita a manutenção de pesquisas científicas relevantíssimas, dentre elas as relativas ao próprio estudo e combate ao vírus Sars-Cov-2; garante a proteção e manutenção patrimonial e o desenvolvimento das atividades administrativas que não podem ser interrompidas (inclusive a folha de pagamento e outras obrigações trabalhistas); e, com igual ou maior relevância neste momento, possibilita a continuidade das atividades dos hospitais e centros de saúde ligados à USP.

Na área da saúde, não há rotina de teletrabalho significativo que permita o atendimento assistencial a pacientes. No Hospital Universitário (HU), a dispensa irrestrita do trabalho para o contingente específico de funcionários com idade superior a 60 anos, com comorbidades ou com filhos menores de 10 anos equivale, na prática, a fechar a instituição, pois esse grupo corresponde a cerca de 30% dos recursos humanos do HU.

Nesses setores de saúde, ou se vira as costas à missão de salvar vidas, ou mantemos as atividades presenciais. Simultaneamente, foram minimizados os riscos aos funcionários por meio do foco especial em ações de higienização, uso adequado de equipamentos de proteção individual, restrição de contato, no que for possível, e adoção de protocolos rígidos e compatíveis com a gravidade do cenário que se enfrenta.

Trata-se, portanto, de reduzir o risco à saúde de servidores que, infelizmente, é e sempre foi inerente à atuação na área, motivo pelo qual esses profissionais são, desde o início, tecnicamente capacitados sobre as formas de como evitar contaminações de diversos tipos.

Neste momento delicado, é fundamental que o HU permaneça aberto para o atendimento à população e, para isso, precisa do trabalho presencial de seus funcionários. Todavia, isso não significa que, na medida do possível, a Superintendência do Hospital não esteja organizando o trabalho de modo a minimizar os riscos aos profissionais acima de 60 anos ou com comorbidades. Pelo contrário, conforme orientações divulgadas pelo Cremesp e pelo CFM, esses profissionais não estão atuando na “linha de frente” do atendimento, mas sim em outras atividades, igualmente relevantes.

É importante ressaltar, ainda, que, em ação coordenada com outros equipamentos de saúde, o HU posiciona-se, neste momento, como um centro de apoio ao Hospital das Clínicas da FMUSP, referenciando a ele os casos de internação de pacientes com a covid-19, e foca suas atividades nos demais tipos de atendimento, tais como Obstetrícia, Neonatal, Oftalmologia, Clínica Cirúrgica Geral, Otorrinolaringologia, Neurologia e outros.

Assim, ao passo em que o HU atende pacientes com doenças e condições clínicas que obviamente não pararam de assolar a população durante a crise, ele se preserva como hospital “livre de covid-19” (já que essas internações se centralizam no HC), o que coloca seus servidores em uma situação de risco minimizada em relação a outros centros de saúde.

O Hospital Universitário presta um serviço que não pode ser interrompido, em especial neste momento em que a capacidade de atendimento do sistema de saúde é desafiada pela curva de crescimento de casos. Sua essencialidade e a imprescindibilidade se revelam com maior clareza no atual cenário de crise.

São Paulo, 2 de abril de 2020.

Reitoria da USP