Pesquisadores da Poli-USP contribuem com debate sobre mineração do futuro

Workshop reuniu grupos de diferentes perspectivas para debater mineração e desenvolvimento regional

O Development Partner Institute (DPI Mining), uma organização criada em 2016 para promover uma mudança nos modelos de negócio da indústria da mineração, realizou, em setembro, um evento para debater desenvolvimento regional com a participação de representantes de diversos grupos, como empresas mineradoras, organizações não governamentais (ONGs), povos indígenas, universidades, igrejas e governos. O workshop, promovido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e contou com o apoio do grupo NAP.Mineração da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). 

Ao longo do evento, realizado entre os dias 18 e 20 de setembro em Belo Horizonte (MG), foram abordadas as parcerias focadas nos seguintes pilares: “Propósito Compartilhado”; “Ecossistemas de Prosperidade” e “Existência de Empresas, Comunidades e Países Competitivos”. 

Conduzidos pelos diretores do DPI, Wendy Tyrrell e Kulvir Singh Gill, os participantes puderam expor valores, metas e expectativas de cada empresa de modo a ampliar as boas iniciativas já em prática e buscar soluções para problemas atuais. Também foram discutidas formas para melhorar as visões de longo prazo, as estratégias e os esforços de desenvolvimento voltados às organizações e comunidades em regiões de mineração no Brasil.

O pesquisador do NAP.Mineração da USP, Hélio Lazarim, conta que a participação dos mais de 60 atores foi intensa e resultou em grande contribuição para o “desenho de uma mineração do futuro”. “O mais importante de todo o processo foi que conseguimos realizar discussões neutras, que não foram lideradas por nenhum stakeholder ou setor”, comemora.  “Nossos próximos passos serão a continuidade dessas discussões e da aproximação dos diferentes atores envolvidos no processo para descobrirmos, juntos, propósitos comuns”, explica.

Para Wendy Tyrrell, diretora-executiva do DPI, “a oportunidade de reunir vários grupos de diferentes públicos para debater temas em comum é estratégico para o desenvolvimento territorial.  Todos os agentes precisam ser considerados quando falamos sobre o desenvolvimento de um território. A mineração pode ser um catalisador para este desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida de todos que moram nestas regiões”.

Mariana Rosa, gerente de comunicação da Anglo American, acredita que “as discussões foram ricas, uma vez que contaram com grande diversidade de atores sociais e de pontos de vista”. “Isso tornou o diálogo uma importante fonte de aprendizagem para todos nós e um exercício necessário para os avanços que a mineração precisa”, elogia.

“O evento teve abertura para as diferentes perspectivas, vários convites à reflexão, espaço e tempo adequados para compartilhamento e mediação bem-feita. Isso é importantíssimo para que a mineração possa promover o diálogo e o relacionamento com os diversos stakeholders do setor e, assim, as transformações necessárias à indústria”, finaliza.

Paulo Henrique Soares, diretor de comunicação do IBRAM, conta que o encontro foi uma oportunidade para as empresas debaterem junto com outros setores formas de inovar e catalisar o desenvolvimento territorial no Brasil. “O DPI pode ser um facilitador para ampliarmos o debate do setor mineral com todos públicos e buscarmos, juntos um desenvolvimento econômico, social e territorial”, completa.